Escolher um bom vinho de Bordeaux pode ser desafiador para iniciantes, mas há algumas dicas que podem ajudá-los a encontrar o vinho perfeito:
Vinho orgânico, vinho em biodinamia, vinho natural… essas denominações florescem em artigos especializados sobre vinho, mas nem sempre são bem explicadas. Então, vamos fazer um resumo dessas diferentes categorias de vinhos e suas diferenças, lembrando que quando falamos em termos de legislação, estamos nos baseando na legislação francesa e que difere de outros países.
O que é um vinho orgânico?
Comecemos pelo vinho orgânico que é um vinho que possui o selo de agricultura orgânica. O logotipo AB, verde e branco, geralmente é indicado no rótulo. Para exibir o selo em seus produtos, o produtor de vinho deve seguir as diretrizes orgânicas para o cultivo da videira e vinificação. O selo AB garante uma agricultura com poucos insumos e uso estritamente restrito de produtos químicos sintéticos.
O que é um vinho em biodinamia?
Um vinho em biodinamia, ou vinho biodinâmico, é um passo adicional na ideia de um vinho elaborado sem intervenção química durante o cultivo da videira e vinificação. Prevenir em vez de curar, proteger em vez de tratar, acompanhar em vez de intervir, esse é o credo dos produtores de vinho que trabalham em biodinamia. O produtor de vinho pratica uma agricultura muito ligada aos ciclos naturais.
Tanto para a biodinamia quanto para o orgânico, existem selos que atestam que os produtores de vinho seguem um conjunto específico de diretrizes. Mas entre os produtores que escolheram essa abordagem, muitos não exibem selos.
O que é um vinho natural?
O termo vinho natural não é regulamentado. Não há diretrizes oficiais ou certificação. Consequentemente, cada um interpreta esse termo à sua maneira. Os produtores de vinho que reivindicam vinhos “naturais” geralmente trabalham na vinificação (na adega) sem aditivos, mas ainda se permitem adicionar sulfitos em pequenas quantidades.
Um vinho natural não é necessariamente um vinho sem sulfitos adicionados! Para ter certeza de comprar um vinho sem sulfitos adicionados, é melhor confiar nas informações presentes nos rótulos e descrições do produto.
Qual é a afinal a diferença entre orgânico e biodinâmico?
Para estar em biodinamia, o vinho primeiro deve ser orgânico. A biodinamia vai além do orgânico no sentido de que a filosofia do trabalho da videira está enraizada no respeito aos grandes ciclos naturais, incluindo os ciclos solares e lunares.
As quantidades de sulfitos permitidas nos vinhos também são mais baixas na biodinamia do que no orgânico.
E entre orgânico e natural?
Como dito, embora o termo “vinho natural” não seja regulamentado, geralmente envolve uma vinificação sem aditivos, com uso de sulfitos adicionados em quantidades menores do que para um vinho orgânico.
O vinho orgânico atende a diretrizes regulamentadas e controladas, enquanto nenhum quadro é fornecido para o vinho natural, e qualquer produtor de vinho pode reivindicar a elaboração de vinhos naturais.
E se compararmos os três?
Vamos resumir:
A biodinamia é fundamentada em uma filosofia que considera o equilíbrio natural da planta em seu ambiente — o solo e a terra. O termo “vin nature” (vinho natural) não é uma categoria oficial, mas, na prática, engloba diversas abordagens, tanto no cuidado com a vinha quanto no processo de vinificação e envelhecimento.
Durante a vinificação e o engarrafamento, o vinificador pode adicionar sulfitos (ou enxofre) para garantir a estabilidade do vinho. Nos vinhos orgânicos, a quantidade de sulfitos permitida é menor em comparação aos vinhos convencionais. Para os vinhos biodinâmicos, esse limite é ainda mais restrito, com o objetivo de respeitar e acompanhar de forma integral a videira e o processo de vinificação.
Você pode estar se perguntando: por que há sulfitos no vinho? Vale destacar que os sulfitos estão presentes naturalmente no processo de fermentação do vinho. Quando falamos de vinhos sem sulfitos ou sem adição de sulfitos, nos referimos, na verdade, a vinhos onde nenhum sulfito foi adicionado ao longo da vinificação.
Esperamos ter esclarecido um pouco mais sobre os processos e as diferentes abordagens que estão ganhando cada vez mais espaço no universo do vinho.