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A vasta extensão da região resultou na formação de diversas sub-regiões, denominações, sistemas de classificação e nos icônicos Châteaux – as famosas vinícolas de Bordeaux.
Localizada no sudoeste da França, Bordeaux possui dimensões impressionantes: 100 km de norte a sul e 125 km de leste a oeste, com uma área de vinhedos que alcançava 110.800 hectares em 2019. Para efeito de comparação, essa área é quase quatro vezes maior que a região da Borgonha!
A Evolução das Uvas de Bordeaux
Hoje a Merlot e Cabernet Sauvignon são as principais castas usadas nos vinhos de Bordeaux. No entanto, esse perfil não foi sempre o mesmo, já que as castas cultivadas na região passaram por mudanças ao longo dos séculos. Benjamin Lewin MW, autor de What Price Bordeaux?, cita as principais castas de 1841 como Cabernet, Carménère, Gros e Petit Verdot, Merlot, Malbec e Tarney-Coulant.
Já em 1874, Edouard Féret, coautor de Bordeaux and Its Wines, listava as variedades em ordem de importância: Malbec, Cabernet, Merlot, Verdot e Syrah. A Carménère, que hoje é emblemática no Chile, foi praticamente erradicada da região após as pragas dos vinhedos no século XIX. A Petit Verdot, por sua vez, tinha dificuldades para amadurecer e era pouco produtiva, o que fez com que caísse em desuso – uma situação que vem mudando devido ao aquecimento global.
O grande congelamento de 1956 devastou um quarto dos vinhedos de Bordeaux, reduzindo drasticamente a presença da Malbec – variedade que, mais tarde, se tornaria emblemática na Argentina. Esse evento contribuiu para que a Merlot chagasse ao lugar importância que está hoje. Hoje, a Malbec ainda é cultivada mas em uma porcentagem significativamente menor.
Atualmente, 97% dos vinhedos de Bordeaux são compostos seis castas. A Merlot lidera o plantio com 59% da área, seguida pela Cabernet Sauvignon (20%) e pela Cabernet Franc (8%). Entre as brancas, a Sauvignon Blanc e a Sémillon dividem igualmente 5% da área cada, enquanto a Muscadelle e outras castas representam os 3% restantes.
Margem Esquerda vs. Margem Direita
As castas desempenham papéis diferentes dependendo da localização dos vinhedos em Bordeaux. Esses papéis devem-se à composição dos solos: a Margem Esquerda, com solos de cascalho e areia, que são mais quentes, favorecendo a Cabernet Sauvignon, que tem mais dificuldade para amadurecer. Já a Margem Direita, com solos argilosos e calcários, não apressa a maturação, o que não é um problema para variedades como Merlot e Cabernet Franc, que amadurecem mais rapidamente
Algumas das sub-regiões mais prestigiadas da Margem Esquerda incluem o Médoc, que engloba Pauillac, Saint-Julien, Saint-Estèphe, Margaux e Pessac-Léognan. Essas denominações ganharam fama mundial após a Classificação de 1855, criada a pedido de Napoleão III para a Exposição Universal de Paris. Ainda na Margem Esquerda, Graves tem grande importância histórica, pois foi onde os primeiros vinhedos de Bordeaux foram plantados. Em Graves, 85% da produção é de vinhos tintos, com predominância da Cabernet Sauvignon nos cortes. Também são produzidos vinhos brancos, elaborados principalmente com Sauvignon Blanc e Sémillon. Sauternes, Barsac e Cérons formam a sub-região de Sauternais, são lugares clássicos para vinhos brancos doces, mas não apenas vinhos brancos doces, aqui são produzidos alguns dos mais icônicos e prestigiados vinhos doces do mundo.
Na Margem Direita, as AOCs mais famosas são Pomerol e Saint-Émilion. Ambas produzem apenas vinhos tintos, em sua maioria cortes com predominância de Merlot e Cabernet Franc, com alguma presença de Cabernet Sauvignon quando os solos permitem. Devido à alta concentração de Merlot nas cortes, esses vinhos apresentam textura mais sedosa e menos imponente do que seus correspondentes da Margem Esquerda.
Entre-Deux-Mers
A região de Entre-Deux-Mers (que significa “Entre Duas Marés”) recebeu esse nome por estar situada entre os dois principais rios de Bordeaux, o Garonne e o Dordogne. A maioria dos vinhedos é dedicada à Sauvignon Blanc. Os tintos são feitos com Merlot e ambas as Cabernets, mas são rotulados como Bordeaux AOC, já que a denominação Entre-Deux-Mers AOC produz apenas vinhos brancos.
As Côtes de Bordeaux
Côtes, em francês, significa encostas. Esse termo é usado para designar regiões vinícolas situadas em terrenos inclinados próximos aos rios ou ao estuário, o que influencia diretamente nas características do vinho produzido. Nos tintos, prevalecem os cortes de Merlot e Cabernet Franc. Entre as Côtes, destaco Blaye Côtes de Bordeaux, uma denominação relativamente nova (criada em 2009). Apenas 40% da produção da região é de tintos, baseados na Merlot. O Chapelle Saint-Laup safra 2010 é um vinho desta AOC que tive a oportunidade de degustar e deixo aqui como sugestão para vocês, um vinho maravilhoso, com uma complexidade linda que me surpreendeu positivamente com o seu potencial de envelhecimento. Apresenta excelente relação entre qualidade e preço!
Bordeaux e o Futuro
Bordeaux está sempre olhando para o futuro. Hoje, 60% de sua área vitivinícola já adota práticas sustentáveis e certificações ambientais, reduz o uso de agroquímicos e promove a biodiversidade. Além disso, a região implementou medidas ambientais em 80% das regras de seus AOCs. Bordeaux também foi pioneira ao solicitar ao INAO a aprovação de novas castas mais resistentes às mudanças climáticas. Em 2021, as AOCs Bordeaux e Bordeaux Supérieur aprovaram seis novas variedades — quatro tintas (Arinarnoa, Castets, Marselan e Touriga Nacional) e duas brancas (Alvarinho e Liliorila) — que podem representar até 5% da área plantada e 10% dos blends. Isso demonstra um claro movimento da região para adaptar-se ao aquecimento global e preservar sua tradição vinícola para o futuro.
Uma última palavra
Para os amantes de vinhos, Bordeaux continua sendo uma das maiores fontes de inspiração no mundo do vinho. Espero que este artigo tenha despertado sua curiosidade para explorar mais sobre essa região fascinante. Que tal abrir uma garrafa e experimentar o sabor autêntico de uma terra com tanta história e tradição?
Andreza Santos
Sommelière e Especialista em Vinhos
]]>Margaux, uma das sub-regiões do Médoc, é abençoada com um terroir excepcional. Seus solos variam de cascalho a argila, proporcionando às vinhas condições ideais para o cultivo de uvas tintas, especialmente Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. O clima temperado, influenciado pela proximidade do oceano Atlântico, contribui para a maturação gradual das uvas, resultando em vinhos complexos e equilibrados.
Margaux é o lar de alguns dos châteaux mais renomados do mundo, cada um com sua história rica e tradição vinícola. Château Margaux, uma das propriedades mais icônicas, personifica a excelência, produzindo vinhos que são verdadeiras obras-primas de elegância e refinamento. Outros châteaux notáveis, como Palmer, Rauzan-Ségla e Brane-Cantenac, contribuem para a reputação inigualável desta região.
Os vinhos de Margaux são conhecidos por sua elegância inconfundível. Os tintos são refinados, exibindo taninos sedosos, aromas cativantes de frutas vermelhas e negras, e uma complexidade que evolui com a idade. A proporção variada de uvas permite que cada château imprima sua assinatura única nos vinhos, oferecendo uma experiência verdadeiramente singular para os amantes de vinho.
A região de Margaux tem uma presença significativa na histórica Classificação de 1855, onde Château Margaux foi coroado como Premier Grand Cru Classé. Essa classificação estabeleceu a hierarquia dos melhores vinhos de Bordeaux, solidificando a posição de Margaux como uma potência vinícola. Desde então, a região continua a surpreender e encantar, mantendo sua reputação de produtora de vinhos de classe mundial.
Explorar Margaux vai além de degustar vinhos excepcionais. A região oferece uma atmosfera encantadora, com paisagens deslumbrantes de vinhas intercaladas por majestosos châteaux. As visitas às propriedades permitem que os enófilos mergulhem na tradição vinícola, conheçam as vinhas e degustem os vinhos na própria fonte.
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História e Patrimônio Cultural
A história de Saint-Émilion remonta a tempos antigos, quando monges beneditinos estabeleceram-se na região, buscando um local propício para a meditação e a vida monástica. Ao longo dos séculos, eles desenvolveram vinhedos e técnicas de cultivo que são preservados até hoje.
Em 1999, a região de Saint-Émilion foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO, devido à sua história, arquitetura e viticultura excepcionais. A cidade de Saint-Émilion, com suas ruas de paralelepípedos, igrejas medievais e monumentos históricos, é uma verdadeira joia, oferecendo aos visitantes uma imersão na rica herança cultural da região.
Terroir Único e Vinhos de Prestígio
O terroir de Saint-Émilion é singular e desempenha um papel fundamental na produção de vinhos de alta qualidade. As vinhas se estendem em colinas onduladas, com solos diversos, compostos por calcário, argila e areia. Essa combinação única confere aos vinhos de Saint-Émilion suas características distintas e elegantes.
Os vinhos de Saint-Émilion são predominantemente tintos, elaborados a partir de uvas Merlot e Cabernet Franc, com uma pequena proporção de Cabernet Sauvignon. Eles são conhecidos por sua estrutura equilibrada, elegância e complexidade aromática. A maturação em barricas de carvalho contribui para aprimorar ainda mais os sabores e conferir uma textura sedosa aos vinhos.
Châteaux e Vinhedos Renomados
Saint-Émilion é o lar de alguns dos châteaux mais renomados de Bordeaux. Nomes como Château Ausone, Château Cheval Blanc, Château Angélus e Château Pavie são sinônimos de qualidade excepcional e prestígio internacional. Essas propriedades históricas não apenas produzem vinhos de classe mundial, mas também são testemunhas vivas da longa tradição vitivinícola de Saint-Émilion.
Experiências Memoráveis
Além das degustações de vinhos, Saint-Émilion oferece uma variedade de experiências enoturísticas para os visitantes. Você pode explorar os vinhedos em passeios de bicicleta, caminhar pelas colinas verdejantes ou participar de cursos de degustação para aprofundar seu conhecimento sobre os vinhos da região.
]]>Qual é o estilo dos vinhos da denominação Médoc?
Na boca um Médoc é sempre bem estruturado, emoldurado de taninos redondos. Os vinhos provenientes das áreas de cascalho são potentes e encorpados. Podem ser tânicos na juventude e beneficiar de uma espera de 5 a 10 anos. Os nascidos em solos argilo-calcários são finos, elegantes e sutis e podem ser degustados ainda jovens.
Denominações de Origem
Na margem esquerda do Garonne, as 8 denominações Médoc, incluindo 2 sub-regionais (Médoc e Haut-Médoc) e 6 comunais (Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien, Moulis-en-Médoc, Listrac-Médoc, Margaux) , compartilham mais de 16.000 hectares excepcionais. Um terroir que há muito sabe revelar grandes talentos e criar vinhos de forte personalidade. Como todas as denominações de origem controlada, as oito denominações Médoc estão sujeitas a rigorosas condições de produção que garantem a sua qualidade e tipicidade.
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A colheita das uvas Sémillon para a produção do Sauternes é realizada manualmente e pode ser feita em várias etapas, conhecida como colheita seletiva. Durante a colheita, os vinicultores selecionam cuidadosamente as uvas que foram afetadas pelo Botrytis cinerea, garantindo que somente as uvas com a concentração ideal de açúcares e umidade sejam usadas para a produção do vinho.
Depois da colheita, as uvas são pressionadas de forma suave e o suco é colocado em barricas de carvalho para fermentação. A fermentação é feita a baixas temperaturas para preservar os açúcares e aromas naturais do vinho. Durante esse processo, ocorre uma segunda fermentação, conhecida como fermentação malolática, que converte o ácido málico em ácido lático, dando aos vinhos uma acidez equilibrada.
Depois da fermentação, os vinhos são armazenados em barricas de carvalho por um período de tempo, geralmente entre 18 meses e 3 anos, antes de serem engarrafados, onde os vinhos adquirem suas características complexas e elegantes.
Os vinhos Sauternes são conhecidos por sua riqueza e complexidade, com notas de frutas cítricas, mel, frutas secas e especiarias. Eles são frequentemente descritos como elegantes e harmônicos, com acidez equilibrada que os torna ótimos para harmonizar com sobremesas à base de frutas como torta de maçã e sorvete de baunilha e queijos como Roquefort, Gorgonzola e Saint-Nectaire. Além disso, os vinhos Sauternes também podem ser harmonizados com pratos salgados, como foie gras e carnes magras, como peru e frango.
Os vinhos Sauternes são classificados em diferentes categorias de acordo com a qualidade. A classificação mais alta é “Premier Cru Supérieur”, seguida por “Premier Cru” e “Deuxième Cru”. Alguns dos produtores mais famosos da região incluem Château d’Yquem, Château Rieussec e Château Suduiraut.
Sauternes é uma região vinícola menor em comparação com outras regiões de Bordeaux, produzindo cerca de 10% do total de vinhos doces da região. No entanto, sua reputação é mundialmente conhecida e os vinhos Sauternes são altamente procurados e valorizados pelos apreciadores de vinhos e pelos amantes da boa gastronomia.